quinta-feira, 11 de março de 2021

DIÁLOGOS DE DOIS NEURÔNIOS TRABALHANDO NO PLANTÃO


"-Em que mundo você vive?
-No Brasil"

Saber ler não significa saber interpretar o que está escrito. Eu fico imaginando possíveis diálogos que os neurônios teriam nessa hora:

-Zé, acabaram de perguntar aqui em que mundo a gente vive. Tem aquele acento que parece um anzol é uma pergunta, isso eu sei que explicaram naquele curso que a Simone fez de mobral.
-Ué, responde que é Porto Alegre. Precisa do endereço e do CEP também pra responder? Vão mandar carta.
-Você é um neurônio muito burro, Zé. Não tão perguntando onde a gente vive, mas em que mundo a gente vive
-A gente vive no cérebro. Precisa descrever? Diz que é amplo, parece um depósito vazio, a gente fala e até dá eco aqui dentro.
-Mas você é muito estúpido mesmo, Zé. Não é o mundo que a gente vive, é o mundo que a Simone vive.
-Ah! Por que não falou antes. Essa é fácil: whatsapp.
-Não deixa de ser verdade, mas acho que não é isso que a gente precisa pra agora.
-Cloroquina e ivermectina.
-Também não é isso, Zé.
-Ah cara, faz que nem eleição e sai com um Brasil acima de tudo.
-É isso, Zé. O mundo que ela vive, é essa resposta: Brasil.
-Longe de mim duvidar do seu conhecimento, chefe, mas Brasil não seria o país que ela vive?!
-Já respondi, Zé e sua pergunta é apenas retórica. Aprendi isso naquele curso de sobral.

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