sábado, 5 de dezembro de 2020

OS PUNHAIS DA TUA AUSÊNCIA



O meu corpo já hospeda
os punhais da tua ausência,

com o terço das distâncias
cumpro minha penitência.

Nas adagas da demora
o gume cego da espera

transpassa dentro do peito,
onde mais me dilacera.

Nos punhais da tua ausência
toda lembrança agoniza

e deixa em mim estas chagas
que o tempo não cicatriza.

Suturo o peito ferido
com as linhas dessa história,

pois se a distância nos fere
tudo que resta é a memória.

Os punhais da tua ausência
se alimentam do meu sangue

com suas lâminas alojadas
em meu peito já exangue.

Sobrevivo aos punhais
dessa ausência carcereira

-Prisioneiro dessa dor
que pensei ser passageira...

Antonio Guadalupe
@oantonioguadalupe

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