Na casa onde cresci não havia nenhuma biblioteca, nem mesmo daquelas bastante simples. O mais perto de uma biblioteca que havia em casa era uma pequena enciclopédia de capa dura em quatro volumes, toda em vermelho com detalhes dourados nas bordas.
Comparada a barça, nossa enciclopédia era o Vasco da Gama.
Embora ainda não fosse alfabetizado, suas páginas fascinavam minha curiosidade infantil, me dando acesso aos mais diversos saberes através das imagens que continha.
Das bandeiras dos países às erupções cutâneas na pele decorrentes da varíola, era como se aqueles quatro volumes tivessem me permitido espiar o conhecimento por uma fresta. Nada parecia me surpreender quando cheguei a idade escolar.
Foi nessa enciclopédia que tive contato pela primeira vez com imagens da fome no continente africano: a foto de uma criança desnutrida que puxava a pele do próprio braço raquítico.
Descobri com o tempo que aqueles quatro volumes não detinham todo o conhecimento do mundo, mas foram um alicerce onde comecei a construir meu aprendizado.
Próximo de completar 13 anos ganhei meu primeiro livro, a biografia dos Mamonas Assassinas, que tenho até hoje. Foi meu primeiro livro, em minha primeira feira do livro, evento que com o tempo passou a ter tanto significado em minha vida.
Desde então cada livro é um tijolo na construção da casa dos meus saberes. Parafraseando o pensamento de Heráclito, entendo que ninguém volta igual depois de se banhar nas páginas de um livro.
Estes foram os livros que li neste ano.


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